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Sexta-feira, Agosto 08, 2008
Enviado às
19:00
por Maria João Carvalho
Guerra na Transcaucásia - Geórgia e Ossétia do Sul vítimas da geoestratégia russa
Por trás de um aparente conflito territorial está a desenhar-se um conflito geoestratégico e energético militarmente...demasiado perigoso para que europeus e americanos possam ignorar..
A Transcaucásia é uma região com enormes reservas de petróleo e de gás nos confins de Rússia, da Turquia e do Irão. É vital para a segurança da Europa.
É atravessada por gazodutos e oleodutos que levam o ouro negro e o gás asiático para a Europa.
O gigante russo, Gazprom, continua a construir e não pretende parar. O presidente da Rússia, Dimitry Medvedev, deseja obter os direitos de transporte de gás natural de três das nações que têm acesso ao Mar Cáspio, que em conjunto controlam 3,3% das reservas mundiais, uma vez que a Europa e os EUA têm cada vez mais necessidade desta fonte de Energia e estão a concorrer entre si para obterem fornecimentos.
São artérias vitais... há alguns anos que os europeus estavam a reduzir a dependência energética da Rússia de Putin, nomeadamente com o apoio aos três países da região - Arménia, Geórgia e Azerbaijão - que também pertencem à CEI - comunidade de Estados Independentes, ex-soviéticos.
A Ossétia do Sul, com o apoio armado da Rússia, autoproclamou a independência num referendo a 12 de Novembro de 2006 - não reconhecida pela comunidade internacional.
A primeira autoproclamação da independência da Ossétia do Sul - que está na mesma situação da Abkhazia e da Transnistria (Moldova), ambas russófonas - foi a 19 de Janeiro de 1992.
A ginástica diplomática europeia não deu qualquer resultado...
As pretensões da Geórgia de adesão à NATO constituiram a última gota num copo demasiado cheio para Putin - a Ucrânia , país da ex-União Soviética também não escondeu a candidatura)... e ocidentais e russos passaram ao desafio frontal.
Quase todos os 70 mil ossetas do sul são etnicamente distintos dos georgianos e falam sua própria língua, parecida com o persa.
Cerca de dois terços do Orçamento anual da região, de cerca de 30 milhões de dólares, vêem do governo russo. Quase todos os cidadãos têm passaportes russos e usam o rublo russo como moeda.
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Quinta-feira, Agosto 07, 2008
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14:22
por Maria João Carvalho
Activistas americanos foram detidos esta quinta-feira, em Pequim, ao tentarem, no segundo dia consecutivo, dar uma conferência de imprensa a denunciar a violação dos direitos humanos.
Um dos três activistas americanos detidos (noutro local foram detidos dois ingleses), afirmou estarem ali para falar sobre os abusos das autoridades chinesas, para falar por quem não pode... "eles não têm voz e os poucos que se atreveram a defender os princípios religiosos estão na prisão", ainda conseguiu dizer.
Já não conseguiu dizer aos microfones, mas ainda foi audível, que estavam ali em defesa dos membros da seita Falun Gong, considerada "tenebrosa pelo governo chinês". Não só tem muitos contactos no ocidente como pode ter mais membros do que o partido comunista chinês. Muitos dos que têm cartão do partido praticam os ensinamentos da seita. Apesar de pregar a "mens sane in corpore sano", a Falun Long tem um lado obscurantista fomentado pelo líder exilado nos Estados Unidos, Li Hongzhi.
Entre outros preceitos, a Falun Long prega que a mistura de raças causa "defeitos" no ser humano.
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Quarta-feira, Agosto 06, 2008
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18:57
por Maria João Carvalho
Maestro Virgílio Caseiro – humildade na excelência
O Maestro Virgílio Caseiro é um lobo do mar que desfia memórias, não através de fios de pesca ou contos de encantar, mas com a batuta de um sábio. Não é tão velho como ‘os mais velhos’ o são na África das tribos com respeito pelas cãs. Nasceu em 1948 em Ansião.
Assumiu a responsabilidade artística da Orquestra de Câmara de Coimbra em 2001 – a partir de 2005, Orquestra Clássica do Centro – sendo seu Maestro Titular.
No dia 3 de Agosto, apresenta um programa ímpar no Palácio Sotto Maior da Figueira da Foz.
Maria João Carvalho para O Figueirense – É um homem de muitos portos e de muitas naus… que faz aqui?
Maestro Virgílio Caseiro - É verdade que sim…a grande vantagem de ser velho – entre os vários inconvenientes que tem – é essa possibilidade que vamos tendo de acumular vida acumulando recordações e, de recordação em recordação, juntamos umas com as outras e acabamos por construir um ‘ideário’ muito nosso, muito pessoal que faz parte de todos e não faz parte de ninguém, com o qual nos sentamos à mesa (nós próprios), com a companhia de nós próprios, construindo projectos que vão nascendo e que nós vamos levando por diante e nos fazem sentir bem com eles. Isso é a universalidade da idade… não é?
E não vejo inconveniente nenhum em ser velho e sinto todo o encanto em poder desfrutar estes anos ao abrigo daquilo que muitas vezes me perguntam e é “quantos anos tenho” e eu digo que “tenho exactamente aqueles que me faltam para morrer”.
E é na conjugação sistemática destas duas verdades que eu, despreocupadamente, vou construindo o meu mundo musical, com a maior seriedade possível, tentando produzir um produto acabado que seja de superlativa qualidade, quase nunca conseguido, e ainda bem, porque a mediocridade daquilo que eu queria que fosse superlativo dá-me razão de ser para o dia de amanhã.
E, portanto, vou tendo este encanto e esta dinâmica de estar comigo e com os meus projectos … possivelmente, do pouco que tenha feito, alguma coisa se pode aproveitar em prol das comunidades da Zona Centro, que é a zona onde, prioritariamente, milito, porque também defendo que não faço falta nenhuma nem em Lisboa nem no Porto… lá há muita gente… há muita gente a poder fazer e eu acho que as pessoas devem ter a lucidez do que valem e para onde caminham e depois devem saber escolher o local para viverem de acordo com o valor que têm e da expectativa das comunidades receptoras. Ou seja: o Bernstein de Nova Iorque era o Bernstein de Nova Iorque e, claro… não podia sair de Nova Iorque porque se saísse ficava subaproveitado – ele estava ajustado à expectativa de Nova Iorque. Eu, por isso, continuo em Coimbra e não faço falta em Lisboa… e no dia em que a expectativa de Coimbra ou da Região Centro – Figueira da Foz… Viseu… - for superior à capacidade de resposta que eu tenho …pois acredite que eu vou deslocar-me para a Pampilhosa da Serra ou de outra terra qualquer, onde eu possa ser o meu Bernstein, à minha dimensão.
M.J.C - O que escolheu para trazer à Figueira?
V.C.- Vimos a este espaço (Palácio de Sotto Maior) a convite da organização, no dia 3 de Agosto, e vamos aproveitar uma clareira entre árvores centenárias para, ao fim da tarde, por volta das sete horas, fazermos um concerto com três cambiantes fundamentais: a primeira: o colorido da orquestra, em que a orquestra vai ser solista… e… depois… outros temas… vamos trazer obras de Coimbra, concretamente, guitarradas de Coimbra, feitas por guitarra portuguesa, acompanhadas por orquestra, e compostas, ou recompostas por compositores que, eu penso, serem de primeira água no panorama composicional português! Estou a lembrar-me do Henrique Carrapatoso, e, exemplo de Sérgio Azevedo e do (infelizmente já desaparecido), Zé Marinho… estou a lembrar-me de um compositor de Coimbra, várias vezes premiado, Zé Firmino Morais Soares… portanto, vamos fazer algumas obras para guitarra portuguesa e para orquestra.
E, finalmente, a terceira vertente é a de temas de canção da zona centro e coimbrã, a que eu não vou chamar fado porque não serão fados, são canções… mas de autores conhecidos: de Zeca Afonso e Adriano Correia de Oliveira, que vão ser tocados pela orquestra e cantados por um tenor, que começa agora a despertar na Zona Centro e começa a dar muito boa conta de si, o tenor Nuno Silva, que vai estar connosco para cantar esses temas.
MJC - Pode contar um pouco da história desta orquestra?
V.C. – A orquestra tem a história que todas as orquestras têm neste país. Uma vivência debilitada, uma vivência sempre em contínua possibilidade de desaparecimento mas que, persistentemente, queremos levar por diante.
Apareceu em 2001, pela minha mão e pela mão da actual presidente da Direcção, a Drª Emília Martins – a quem se deve toda a honra do facto da sua sobrevivência, porque tem um dinamismo brutal e uma capacidade de resistência à frustração que eu admiro e que a minha idade (mais uma vez) já não me aconselha a ter, porque desanimo mais cedo…e fruto disso a orquestra, não obstante não ter vindo a ter nenhum apoio oficial do Ministério da Cultura tem vindo, com um orçamento miserabilista em relação às outras orquestras congéneres, a desenvolver um trabalho de militância na Zona Centro, para a qual está vocacionada. E tem vindo a fazer um reportório igual ao que as outras orquestras fazem, simplesmente com o orçamento que temos.
Estou convencido – e nem estou triste por isto nem me estou a queixar – de que as organizações, instituições e associações devem mostrar o trabalho que são capazes de fazer. E depois esse trabalho tem de ser de tal forma objectivo e tem de emergir com tal força no tecido cultural onde está inserido que, depois, nem o ministério da Cultura nem qualquer outro tipo de ministério pode fechar os olhos, tem de os abrir. E, nessa altura, eles estarão connosco tranquilamente para nos apoiar. Continuo tranquilamente à espera de que chegue o meu dia para que isso chegue a uma verdade.
MJC – Porque tem ao peito uma medalha de oiro de D. João IV?
VC – A história desta medalha é como todas as histórias das grandes navegações (risos): o mundo é redondo e as caravelas circundam o mundo…por todas as navegações que fazemos, sejam elas afectivas, cognitivas ou motoras, vamos encontrar portos de abrigo onde nos revitalizamos e onde nos encontramos. Esta medalha, ao fim e ao cabo, sendo do tempo de D. João IV é, digamos, que a lembrança de um porto de abrigo onde encontrei ânimo para outra viagem.
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17:23
por Maria João Carvalho
Entre aspas:
“Lá, apareço com 99 anos, mas, na verdade, tenho 104” , afirma a vovó baiana mais famosa do mundo!
DEODATA PEREIRA BORGES, mais conhecida como Mamãe ou Vovó, fez a afirmação a propósito do erro no seu registo de nascimento. Ela está a concorrer a uma vaga na Câmara Municipal de Feira de Santana, no Brasil.
Antes, foi a candidata a deputada federal mais velha das eleições de 2006 e ela própria distribuiu máscaras com a própria imagem na Bahia. Foi derrotada nas eleições mas não se dá por vencida na vida.
As 100 mil máscaras com o rosto da candidata mais velha nas eleições, especialmente na cidade de Feira de Santana, onde mora a comerciante Deodata Pereira Borges, 103 anos, é uma personagem pública incontornável.
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15:53
por Maria João Carvalho
Cá estou, depois de férias com muitas reportagens à mistura - não sei mesmo estar, simplesmente, sem fazer nada, de modo que trabalhei mais do que se não tivesse ido de férias...sniff!
E minh'alma tá pasma: então não é que os atletas franceses estão, há dias, a preparar-se para o jet lag da viagem para Pequim? E como? Devem perguntar-se vocês...: pois numa sala escura com uns óculos que emanam uma luz diurna especial. Assim, quando chegarem a Pequim, já estão habituados às horas chinesas!
Não brincam em serviço...pena é que os portugueses aprendam sempre tarde demais.
Quanto às núvens sobre Pequim, o governo chinês seguiu o exemplo de Putin no aniversário de S.Petersburgo e de Sarkozy na tomada de posse: encomendou os mesmos mísseis para as afastar. Quanto à poluição, a coisa fia mais fino: os cartazes gigantescos de céu azul não chegam para tapar tanta neblina na cidade olímpica....e o odor não é dos melhores.
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Quarta-feira, Julho 30, 2008
Segunda-feira, Julho 28, 2008
Domingo, Julho 13, 2008
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23:26
por Maria João Carvalho
Keiko Amakasu, gentilíssima mulher do meu irmão, mãe da minha afilhada Yumiko Maria - a nossa querida Amendoinha, e professora na Universidade de Nagoya, festeja duplamente o aniversário de nascimento e a vinda ao mundo da sua bebé.
Parabéns, bela Keiko! Mil vezes agradecida por tantas e belas prendas de vida.
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20:22
por Maria João Carvalho
Pedro Miguel Amakasu Raposo de Medeiros Carvalho, o figueirense (meu irmão mais novo, gémeo da Patrícia) e professor universitário, que está a fazer o segundo doutoramento de Economia no Japão (primeiro em Okayama, e agora em Nagoya, casado com Keiko Amakasu, participa o nascimento da filha, Yumiko Maria, como um verdadeiro fã de Fórmula Um!
9 de Julho de 2008:
A Yumiko Maria, como se pode ver, tem o nome híbrido e é amiga do ambiente e da natureza. O motor é produto de uma join-love entre Portugal e o Japão. A cilindrada é de 2.950 gramas, para não gastar muito. O comprimento é compacto: 50 cm.
A corrida decorreu em mais de 15 horas, mas no fim, bastaram duas horas para ultrapassar os últimos obstáculos e cortar a meta. A pista estava seca e portanto não foi preciso usar outro tipo de pneus pelo que a corrida (parto) foi normal.
Eu, infelizmente não pude assistir ao parto pois tive de ver a telemetria para verificar se estava tudo bem; e estava.
A corrida começou às 4 horas da tarde de dia 8 de Julho e terminou já no dia 9 às 6:08 da manhã. Eu estive a dar assistência desde as 4 horas da tarde de dia 8 até às 9 horas da manhã de dia 9 e, claro, quando terminou estava exausto... mais do que a Mamã. Mas o Prémio, esse foi o melhor de todos: uma vida veio ao Mundo.
A Yumiko e a Keiko cortaram a meta como grandes vencedoras e lá em cima, não muito longe, na Bancada VIP, estava a Nossa Senhora a olhar para a nossa Yumiko MARIA.
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Quarta-feira, Julho 02, 2008
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15:59
por Maria João Carvalho
Escândalo na Justiça Portuguesa: um padrasto provoca surdez, cegueira e tretraplegia no enteado de dois anos e é condenado a uma pena de prisão de sete; a mãe tem direito a pena suspensa.
E a advogada da energúmena ainda teve a lata de afirmar que a cliente devia ter sido absolvida e que não sabia se ia recorrer...
O escândalo é tanto maior quanto continuada foi a tortura do bebé, que sofria violências diárias e chorava. Quando os vizinhos questionavam a razão de tanto choro a mãe alegava que o bebé era "chorão".
Acho que o Procurador da República deve ser responsabilizado pelo estado da Justiça em Portugal. Mas quem sou eu? Uma cidadã qualquer chocada com o estado da nação... apenas uma ENTRE MILHÕES, senhores governantes. Os portugueses começam a estar fartos de tanta amoralidade!
Em Espanha, um caso idêntico, o caso Aron, mas a criança, também de dois anos, acabou por morrer à fome:a mãe, como tinha a atenuante de sofrer de graves problemas psiquiátricos "só" foi condenada a 17 anos de prisão efectiva; o pai foi condenado a 21 anos.
Os nossos legisladores e magistrados deviam fazer uns estágios no país vizinho...
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Terça-feira, Junho 24, 2008
Enviado às
14:47
por Maria João Carvalho
Porque vais assim
com uma núvem
pela mão?
E eu a ver-te
irmão
a ir assim
sem mim
mão na mão
Onde, núvem
te objectivas
como um raio
mais doce que repentino
onde vais
e onde levas
o meu menino?
Onde, berço
me embalaste
de onde me trouxeste
e onde me exilaste?
Onde, Céu
forjaste o meu destino?
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Segunda-feira, Junho 23, 2008
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18:53
por Maria João Carvalho
A propósito da Conferência de Doadores em Viena, a EuroNews destacou a situação de Nahr el Bared. Eis a minha pequenina contribuição:
Em Maio de 2007, quase um ano depois do conflito entre Israel e o Hezbollah, o exército libanês entrou no campo de refugiados palestinianos Nahr el Bared, no norte. Alegadamente, combatia um movimento dependente da Al Qaeda, o Fatah al Islam, que se refugiou entre os civis.
Depois de 15 semanas, o exército tinha conseguido capturar ou matar a maioria dos radicais islâmicos (mais de 20 escaparam), ocupara o campo, parcialmente destruido, mas os 30 mil palestinianos tinham sido obrigados a fugir.
Apanhados no meio do fogo cruzado dos combates, optaram por abandonar a terra que, quatro gerações, ocuparam desde 1949. Alguns conseguiram entrar na sociedade libanesa que, até então, os excluiu. Pelo seu lado, muitos libaneses nunca tinham visto um palestinano até ao momento da destruição de Nahr el Bared.
Os proprietários das casas menos afectadas puderam regressar mas os outros não.
Encontraram refúgio no campo vizinho de Beddawi. Há campos de refugiados de norte a sul no Líbano, desde o grande exílio de 1949. Neles, vivem 400 mil palestinianos, metade dos quais em situação de pobreza.
No princípio, a solidariedade funcionou e os refugiados de Nahr el Bared foram calorosamente acolhidos. Mas a situação e as condições sanitárias degradaram-se, e as relações ficaram tensas. Muitas das 1848 famílias de Nahr el Bared ficaram a viver nas escolas, o que afectou a escolarização das crianças de Bedadawi. A situação tornou-se intolerável para ambas as partes.
Iman Dawood, mãe de família, deseja muito a reconstrução do campo e que, ao menos, lhe dêem um quarto para viver com a família. Porque este modo de vida é insuportável, afirma. Quer juntar-se a todos os outros de Nahr el Bared.
Regressar à origem e reconstruir a vida já precária de antes, é o sonho de todos. Mesmo sem usufruir dos mesmos direitos do que os libaneses...
Ibrahim Abd Ghannam, chefe de família, lamenta pertencer à segunda geração destes "sem abrigo" (a seguir a Nabkah, em 1948). Espera, como os outros, que os doadores compreendam a situação humanitária e ajudem a reconstruir o campo para voltarem, dentro do possível, à normalidade.
O pior é que a marginalização dos palestinianos na sociedade libanesa facilita a acção de grupos como o Fatah al islam, que provocam, ainda, mais fragilidade.
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Quinta-feira, Junho 19, 2008
Enviado às
19:00
por Maria João Carvalho
May Chidiac, a vedeta da televisão libanesa, do canal LBC, sobreviveu à justa a um atentado com uma viatura armadilhada, em Setembro de 2005. Valerie Gauriat entrevistou-a para o programa Sawa (juntos) da EuroNews.´Eu já conhecia a história e li bastante sobre ela.
Cristã maronita conhecida pelas posições anti-sírias, a conhecida jornalista, a quem chamam Borboleta, ficou sem uma perna e uma mão.
Apesar das ameaças que continuam a pender sobre ela, mantém um programa de debate político.
Aos terroristas do Hezbollah que a aameaçam ela responde:
"Quer queiram quer não, fizeram de mim um símbolo quando me queriam calar. Com próteses numa mão e na perna, só posso continuar a SER um símbolo da revolução do Cedro, ao quererem matar-me , transformaram-me em símbolo.
Tornei-me prisioneira no próprio corpo. Com próteses artificiais. Não pensem que vou ficar presa entre quatro paredes. Se o preço da liberdade de expressão quer dizer que têm de me matar de novo, podem ficar com a segunda metade."
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Sexta-feira, Junho 13, 2008
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17:30
por Maria João Carvalho
Durão Barroso acaba de dizer que a Europa não tem Plano B para executar depois deste veto da Irlanda ao Tratado de Lisboa!
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17:15
por Maria João Carvalho
O Afeganistão obteve da comunidade internacional, reunida em Paris, a promessa de que terá 21,4 mil milhões de dólares a título de ajuda à reconstrução e desenvolvimento durante conferência de doadores, integrada por 80 delegações internacionais. Karzai pedia mais de 50 mil milhões. O dinheiro concedido dificilmente chegará a quem necessita dele fora de Cabul.
Sete anos depois da queda dos talibans, o Afeganistão é terra de contrastes. Cabul, a capital, é acessível e por isso lá chegam todas as agências de distribuição de ajuda humanitária e todos os investimentos. É tudo muito desproporcionado em relação ao resto do país. Apesar dos luxuosos centros comerciais, as aparências enganam.
Os campos de refugiados na periferia abrigam milhares de pessoas vindas das zonas rurais, sem água nem electricidade. No entanto, desde 2001 que todos os actores no terreno sublinham que a situação melhorou.
Foram escolarizadas um milhão de crianças, 35 por cento das quais são raparigas; 82 por cento dos afegãos têm acesso aos serviços de saúde; e foram construidos 12 mil km de estrada; 5 milhões de refugiados regressaram ao país.
O reverso desta imagem é um insucesso total: apenas 50 por cento das crianças vão à escola; 70 a 80 por cento dos casamentos são forçados e a esperança de vida não ultrapassa os 43 anos de idade.
A economia depende da produção de ópio.
A província de Ghazni é um exemplo de abandono total. 70 por cento da ajuda internacional não passa pelo governo a pretexto da corrupção, e acaba por ter estes efeitos perversos...
Por isso, está a ser posta em causa a eficácia da ajuda ao Afeganistão e a coordenação num terreno que condiciona a capacidade dos intervenientes internacionais para ganhar a confiança da população, cada vez mais desconfiada sobre os objectivos dos estrangeiros.
Em primeiro lugar, dos 25 mil milhões prometidos em 2001, só foram gastos 15. E por cada 100 dólares dispensados, apenas 30 chegaram aos afegãos. É que 15 a 30 por cento da ajuda é gasta na segurança das agências humanitárias. Por sua vez, estas agências consomem 85 por cento dos produtos, além dos salários para os estrangeiros que são incomparáveis aos dos afegãos.
Estão em missão no Afeganistão 70 mil soldados estrangeiros. Até agora, o custo desta presença (exceptuando os custos logísticos das Forças Armadas de cada país) foi deduzido do orçamento da ajuda humanitária
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